28, Junho, 2009

Medo sem razão

Sabe naqueles dias que você começa a escrever um texto, e apaga? Torna a escrever de novo e apaga mais uma vez. Desfaz, refaz, minimiza, maximiza, restaura, fecha, abre…

Não sei se isso é sinal de que há muito a se falar e falta de meios para organizar as idéias. Ou simplesmente reflete o fato de que não se tem nada de relevante para escrever a respeito.

É como quando você hesita diversas num sábado à noite antes de sair. Olha para a cama, e resolve ligar para perguntar quem vai com certeza, quem talvez apareça, como vão, se tem carona, previsão de retorno, preço…

Não é falta de vontade, mas no fundo você está querendo prever a finalidade, a utilidade, se valerá a pena. Coisa que você jamais descobre ficando no sofá. Sempre há uma opção melhor do que o essa. A cama que seja, ou janelas de MSN.

Há hesitação a todo o momento: ao acordar e pensar no dia sofrido da segunda-feira, checar os e-mails, fazer um telefonema, conversar com o chefe, decidir o local do almoço, o que comer no almoço, a vida nos pergunta o que faremos dela a todo momento.

E o problema não está na tomada de decisão: escrever ou não, ligar ou não, sair ou ficar. O problema é o medo que guia as escolhas. Por medo, não escrever, não ligar e não sair. Aquele medo sem razão. Qual o problema? O que de pior pode acontecer?

E a vida vai não acontecendo: num rascunho rasgado, numa conversa evitada, numa dança recusada, no convite declinado, no beijo negado…

Ficando refém do medo sem razão.

5, Janeiro, 2009

2009

Você já parou para pensar? Me pergunte “no que ?”  eu digo (desenvolvedores da internet 3.o, pensem em textos interativos a esse nível para o futuro): que mais um ano começou?

Tá, então você não é nenhum gênio. Foi o que eu pensei também e então eu tentei ir mais além: e daí? Daí complicou: o que fazer com um ano inteiro pela frente, sendo otimista e considerando que não vou morrer até o fim de 2009?

Quando eu pensei em fazer a lista, desisti e decidi algo muito importante para a minha vida. Não fazer listas, jamais! Listas são o maior atraso de vida inventado pela humanidade. Mania de ordenar coisas que não tem ordem! No tempo que se perde elaborando uma lista, você poderia estar de fato executando algo. Não tô falando de planejamentos e de grandes projetos com muitas pessoas envolvidas, mas de listas de coisas bobas e pessoais. Se somos capazes de executar uma coisa por vez, uma grande lista só serve para gerar o pânico de que não vai dar tempo. “Mas faço para não esquecer” ora, se esqueceu, não era importante. Sabe a data de aniversário de namoro? Esqueceu, porra! Uma data não é importante, a pessoa pode ser, a data não. Aquele farvozinho para o chefe? Aquele dinheiro, aquela prova, aquele e-mail? Talvez você esqueceria menos se não estivesse tão ocupado fazendo listas…

Voltando, o que fazer com uma ano pela frente? A resposta ideal é: o que me der na telha! Desde que isso não prejudique ninguém (isso inclui aquele assassinato a sangue frio que você estava planejando).

Então conclui que em 2009, vou fazer o que eu quero e o que o trabalho e a faculdade me obrigarem, mas, uma vez que trabalhar e estudar está entre as coisas que eu quero, não posso reclamar disso…

Sim, se eu quiser pentear um macaco, eu vou! E se eu quiser postar abobrinhas aqui? Vou também! Assim com eu acabei de fazer…

Papo sério: parem e pensem no que fazer com um ano inteiro, sem listas falhas por favor! E sem achar que você tem super poderes! Minha camiseta na virada de 2008 trazia os dizeres “I’m going to save the world” e você viu o mundo como está né? Falhei…

Nesse ano só vou fazer o que eu quero. Mesmo que para isso seja preciso fazer coisas que eu não quero.

24, Dezembro, 2008

Triste conto de Natal

Camila se cansou de todo fim de ano igual, repetido. Queria que as coisas mudassem e então resolveu: pegou a caixa com todos os enfeites de Natal da sua casa, jogou num latão velho que encontrou na garagem, levou até o quintal, tacou querosene e jogou a bituca ainda acesa de seu cigarro lá dentro. Não demorou para que o fogo consumisse todos aqueles laços, bolas coloridas e breguices de final de ano.

Acendeu outro cigarro para contemplar a chama no latão e então se deu conta que estava queimando todos os Natais passados e que não sobraria nada. Nenhum vestígio. Por alguma razão que ela desconhecia, escorriam lágrimas dos seus olhos e não demorou os soluços chegarem.

Resolveu voltar para dentro de casa e deixar que o fogo fizesse o seu trabalho sozinho. Imaginou ele perguntando por que nesse ano não colocariam os enfeites, o que havia acontecido. “Por que?” Agora ela gritava enquanto chorava desesperadamente encolhida atrás da porta. Apagou aquele cigarro na própria mão na vã tentativa de ter uma dor maior.

Logo os vizinhos se incomodaram com a fumaça e o cheiro de plástico queimando e foram apagar a chama daquele latão. Ninguém se atreveu a questionar a razão para ela ter feito aquilo. Sabiam que ela devia estar sofrendo.

Passado um tempo, ela se levantou, esfregou os olhos e subiu lentamente para o seu quarto. Pegou a passagem separada na penteadeira e colocou numa mochila, fechou a mala que ainda estava aberta sobre a cama e desceu.

Em dez minutos o taxi chegou, ela passou na escola para pegar o filho e depois seguiram juntos ao aeroporto. “Promete que vai se comportar” disse ao se despedir. “Por que não posso passar o Natal com você?” perguntou a criança “Logo eu volto, apenas prometa” ele nada disse, apenas fez que sim com a cabeça, já contraindo seus olhos e lábios chorando.

- Você fez o que eu pedi? – ele disse com a voz baixa, soluçando.

- Nenhum enfeite, nenhum presente, nada. E vou começar uma vida nova!

Um sorriso muito grande formou-se no rosto do garoto, igual ao da fotografia que ela agora contemplava no banco de trás do taxi. “Vai querer ficar parada aqui quanto tempo mais? A bandeira está correndo”.

Ela então pediu que o motorista seguisse rumo ao aeroporto, pois seu filho já não estava mais ali – provavelmente alguém já teria o levado ao aeroporto. Mas na verdade ele estava ali, sentado ao seu lado e ela sabia. E sabia também, que em nenhum outro lugar do mundo ele estaria que não ao seu lado.

Ao chegar ao aeroporto, deixou o troco como caixinha de Natal ao motorista e sem se despedir de ninguém, voou para onde também não haveria ninguém esperando por ela.

21, Dezembro, 2008

Twilight

Agora vamos a um relato marcante: acabo de assistir a pré-estréia do filme “Crepúsculo” (comecei esse texto na quinta à noite), baseado no livro Best-seller de mesmo nome da Stephanie Mayer, que faz uma ponta no filme, segundo fontes que me cochicharam durante a sessão do filme. Cochicho esse, extremamente desnecessário uma vez que a sala do cinema estava tomada por pessoas histéricas e eufóricas que assoviavam, gritavam, riam e faziam muitos “ohs!” e “ahns!”. Mas algumas pessoas simplesmente não se deixam afetar pela falta de educação alheia e continuam tentando manter o respeito, por isso o cochicho.

Toda via, eu tinha terminado hoje (quinta) de ler o livro (em inglês)  e concluído que era algo muito mamão-com-açucar. Eu explico: tire os vampiros (o filme é um romance vampiro, caso não saiba), coloque músicas e você terá um High School Musical. O filme me surpreendeu de maneiras boas e ruins.

Coisas boas: a ação, o sangue, as mortes,  que eu senti falta do livro, apareceram no filme. Tem também o Volvo C30, um puta carro. De ruim, o filme era dublado, o filme era dublado, o filme era dublado. Do começo ao fim! (confesso de que criei esperanças de que isso ia mudar) Se piorar, estraga. Tem outras coisas ruins mais esse fato marcou demais.

Falando de livros, Harry Potter é melhor (que Crepúsculo, ficou claro?). Na minha franca (e fraca) opinião, evidentemente. E você ainda pode argumentar que eu ainda não li toda a série da Stephanie Mayer e que Harry Potter foi melhorando a cada livro, é verdade. Mas ainda acho que a guerra contra aquele-que-não-deve-ser-nomeado, com mistérios e verdades sendo descobertas gradativamente (Lord Voldemort), nunca será superada pelo mistério: será que Edward e Bella vão terminar juntos? Será que ele vai mordê-la? Vai chupá-la? (Pausa para o banheiro e não se esqueça de lavar as mãos )

E outro ponto negativo do livro é um gosto muito pessoal. Não gosto de personagem metido a narrador! Pronto falei! Narradores de fora sempre são mais espertos, sagazes, e legais porque tudo vêem, tudo sabem, e sabem o que contar, como contar e quando contar. Isabella narra a própria história, por isso, se você for uma menina vai parar de lamentar nunca ter encontrado um príncipe encantado e vai passar a lamentar nunca ter encontrado um vampiro para amar. Isso porque a Isabella não sabe o que Edward está planejando, mas ela confia nele por estar loucamente apaixonada e mesmo o cara sendo um sangue-suga, que come um urso antes de passar um tempo com ela para não partir pra cima, ela acha o cara perfeito. Vai entender!

Sei que Edward não vai matá-la, pois isso seria uma estupidez comercial da autora. Ninguém indicaria os livros se no final a mocinha descobrisse que o tempo todo o vampirinho só queria come-la. Isso é ficção, minha gente! Mas caso o narrador fosse uma terceira pessoa, seria bem possível e as pessoas iriam gostar e torcer: “coma essa babaca, Edward!”.

Voltando ao filme, eu devo estar passando por sérios problemas cognitivos! Porque as pessoas da sala de cinema aplaudiram no final! E eu não entendi a razão. Vai ver elas gostaram da dublagem…

23, Novembro, 2008

Depois do Chá

Então fechou os olhos e entregou-se. Não havia mais para onde fugir, nem como negar aquela vontade, afinal de contas, chegou sozinho até ali, aceitou o convite. Se negasse, se fugisse, acabaria frustrado. Afinal, ele sabia que aquela era a razão para estar ali. Aquele era o fim. E aquilo era o que ele queria exatamente naquele instante.

Agora, de volta, ele sabia que as reflexões eram inevitáveis. Não sabia o que aconteceria daquele ponto em diante, tentava entender como a vida o conduzira até ali, buscava explicações, razões, definições. Concluiu apenas uma coisa: queria ser feliz.

“Voltei à estaca zero, e apesar disso não significar muita coisa, acho que pelo menos já sei o que quero”, pensou.

18, Outubro, 2008

Sobra burrice sobre tudo!

E no fim das contas, não importa como lidamos com as mais variadas coisas. Se com sorrisos falsos e abraços vazios, proferindo mentiras com a convicção da mais pura verdade.

Na impossibilidade de interferimos sobre a nossa própria sorte, escolhemos nossas verdades. A verdade é sempre o que fica, e apenas decidimos o seu lugar. Se num livro aberto ou em outro, queimado.

Não confunda isso com a razão para as mentiras! Elas não existem. Apenas nelas se acreditam ou não. E uma verdade, se enxerga ou não. Por trás de toda mentira, certamente haverá uma ou mais verdades e o mesmo não ocorre com a verdade. Não há nada além de uma verdade.

Uma verdade nunca se perde. Todas delas estão nos seus devidos lugares, ocultas ou não.

E nem pense em segredos! Verdades não são segredos, nenhuma é! As verdades estão aí, não culpe sua dificuldade de enxerga-la, não a rotule como um segredo. 

Segredos, assim como as mentiras, não existem. Se você não enxerga uma verdade e um dia passa a enxergar podendo escolher o destino dela, você não tem um segredo, você tem uma verdade. E caso você nem se esforce em ajudar os outros a enxergar essa verdade, ela vai permanecer ali, intacta, forte. Não há nada mais sólido do que a verdade. Um segredo, alguém pode descobrir.

E quanto aos mentirosos? Não ouso dizer que esses não existem, porque essa é uma regra sem exceção: todos somos. E que atire a primeira pedra nesse mentiroso que não para de proferir uma mentira atrás da outra, ousando falar sobre a verdade!

Ousadia sim, e minto, minto mesmo. Minto a todos, sobre tudo, sobre mentiras e sobre verdades. Ora, e quem não o faz? Chame-o de honesto, desdenhe, e depois, chame-o de hipócrita, diga que mente mais do que você e esqueça toda a babaquice sobre a existência das mentiras.Uma mentira bem contada se torna verdade, não é o que dizem? E você acredita!

Pois no final, não importa quantos livros você leu, o quanto viajou, o quanto trabalhou, o quanto aproveitou a vida ou o quanto apenas olhou ela passar. A única verdade, a única certeza é uma só: ninguém sabe de nada, sobre nada! Sobre mentiras ou verdades, sobre eu, ou sobre você. Sobra burrice sobre tudo.

17, Outubro, 2008

Vocês Viram?

O Tramontina disse que a sequestrada do ABC tinha falecido e depois de cinco minutos entrou o Plantão com Fátima Bernardes dizendo que ela não tinha morrido mais.

Alguém coloca no you tube, por favor?

22, Setembro, 2008

Texto sobre a preguiça

A preguiça pode fazer com que você pare deixe algo inacabado e também pode

7, Setembro, 2008

Turma da Mônica Jovem

Eu disse que só opinaria a respeito do tão comentado lançamento apenas após a leitura.

Comprei o meu exemplar da 1ª edição pela bagatela de 4 reais no último dia da Bienal do Livro em São Paulo. Muito bem é muito bom.

Li duas vezes para o caso de ter perdido algum detalhe, mas não encontrei nenhum defeito na nova proposta. Piadas infames contidas no exemplar a parte, claro (“tudo o que vivemos daria para escrever um livro”diz Mônica “ou um gibi” completa Magali).

Não acho que a magia dos personagens se perde, quando criança, meu pai assinava o gibi. Não sei se essa curiosidade de saber como eles seriam crescidinhos tenha ficado de alguma forma na minha mente, fazendo com que eu goste mais dessa novidade do que alguém que nunca teve um contato de identificação na infância com a turminha do bairro do limoeiro. Isso conta.

Tudo bem que agora, não aconteceu nenhuma identificação com os personagens, a não ser nostálgicas. Mas o Maurício de Souza trabalha uma idéia de que muitas coisas ocultas todo esse tempos serão reveladas. Coisas que foram escondidas de mim por mais ou menos uns quatro anos que meu pai manteve a assinatura! Isso é sério, então, eu preciso saber! Por mais que sejam paradas místicas, dimensionais e delirantes. Isso é uma bela aula de marketing. Tô falando de re-fidelização (essa palavra existe?) de antigos leitores!

Se bem que de uns tempos para cá, eu vinha considerando a hipótese de assinar os velhos gibis. Eles são geniais.

E o que mais me surpreendeu nesse gibi mangá foi a forma como eu tinha completamente me esquecido do capitão-feio.

Então que seja assim, Cebola falando cerrrto, Mônica dentuça e gostosinha, Magali controlada na alimentação e Cascão tomando banho de vez em quando. E os quatro lutando no maior estilo mangá (pelo qual eu tenho sim uma queda).