14, Dezembro, 2007...5:41 pm

Vazio

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Sabe, ele sentiu aquilo de novo. Justamente o que ele não queria que acontecesse. Sentia-se agora aliviado e vazio ao mesmo tempo.

Com pesar, reconheceu: voltara à estaca zero. E devia começar tudo de novo. Respirou fundo, deu um suspiro e conteve uma lágrima. Aquilo que trouxe o alívio e o vazio, foi o que imaginava que o faria feliz. Estava enganado.

 Precisava novamente, ou de um resgate ou de um novo, mas precisava. Decidido, pegou o telefone.

 Depois de boas risadas, bons momentos, e da despedida, viu-se vazio novamente. E não, não era a mesma coisa. Reconheceu triste, que talvez tivesse sido mesmo só uma vez na vida, como dizem, e que nunca mais sentiria a mesma coisa. Era impossível não recorrer à memória naquele momento confuso, prendeu-se a cada lembrança feliz e boa daqueles dias, daqueles tempos onde esse vazio não existia.

 Pensou que talvez… e conclui que não, nunca mais. “Não é fácil”, pensou. “Nunca foi” concluiu.

 Dessa vez, pegou o telefone e ligou para onde realmente queria, ouviu a voz do outro lado e ficou em silêncio. A voz insistiu, continuou em silêncio e nem sequer a ameaça de desligar o fez falar alguma coisa, a voz o xingou uma vez e continuou a ofender sem parar, descontroladamente!

 - Desculpa! – gritou – foi engano, me enganei mais uma vez!

 A voz do outro lado emudeceu por um instante e, ao perceber que tornaria a falar, ele desligou o telefone. Quem sabe aquilo teria ajudado? Já que tantas outras palavras amigáveis dóceis que ouviu nunca surtiram efeito nenhum. E de fato aquelas trocaram, por um instante, o vazio pela a tristeza e melancolia.

1 Comentário

  • Às vezes o vazio é positivo. O vazio nos dá certa liberdade que em outras circunstâncias não conseguimos ter. Liberdade no agir e, principalmente, no pensar. O vazio não traz felicidade, mas afinal, o que traz?


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