Hoje a caminho do trabalho me deparei com duas situações: uma até que usual, e outra que ainda não é tão usual assim, mas para o meu pavor, está ficando.
Explico primeiro o que é o caminho do meu trabalho: dependendo do meu humor, três ônibus ou dois ônibus, um metrô e uma lotação. Decido sempre no segundo ônibus o que vai ser: se metrô ou ônibus.
Hoje já no segundo ônibus, cujo qual eu dispenso o maior tempo da minha viajem, sentei do lado de um cara com fones de ouvido externos, sabe? Aqueles que não ficam dentro do ouvido. Ele usava chapéu também, uma modinha infernal. Tranqüilo, dificilmente não se senta ao lado de alguém com fone hoje em dia. Mas estava alto. E ele ouvia pagode, não gosto de pagode. Músicas que não me agradam desconcentram-me de minha leitura, e logo hoje que estava iniciando a leitura da minha mais recente aquisição meu mais novo empréstimo, “Pequenas Epifanias” do Caio Fernando Abreu! Consegui ler a introdução o prefácio e a primeira crônica. Depois disso, coloquei meu fone para parar de ouvir aqueles “lê lê, lêlelelelele…” (ironia, o pagode usava o imperativo para que eu continuasse a leitura, ou era apenas um refrão vazio?). Encostei a cabeça no assento e dormi.
Desgastado com isso, decidi que hoje não queria andar de escada rolante e não fui de metrô (motivo muito plausível, e sim foi esse mesmo). No terceiro ônibus, eis que surge uma mina, de calça leg, cabelinho chapado e chapéu (modinha infernal). Mas ela se achava muito foda com seu MP4 com som estéreo, que dispensa fones! E fez todo mundo ouvir o que ela queria: até eu descer do ônibus, foram três músicas: Knockin on heavens doors, do Guns n’ Roses, um reggae qualquer e o funk “tá de calça nois abaixa, tá de saia nois levanta”(criancinhas pegam ônibus com suas mães, mas e daí?). Com o meu MP3 ainda no ouvido dava pra escutar o som dela! E ela encarava todos balançando a cabeça ao som da música de forma “qual é problema?”. Minha colega de sala, a Ana Paula, usou um termo legal uma vez em seu blog para definir o problema dessas pessoas: Síndrome de DJ.
Enfim, tive uma brilhante idéia para quando acontecer uma situação semelhante para o DJ da vez (o termo também é da Ana) se tocar que está incomodando, me pareceu genial: colocar meus fones, e começar a cantar de acordo com a música que estou ouvindo de maneira desafinada e bem alta e sorrindo, olhando em direção ao DJ, e me achando o máximo, causando vergonha alheia em todos os passageiros. Se resolve, eu não sei (porque eu sinto do que eles gostam mesmo é de incomodar), mas como eu canto mal, sei que seria bem pior e mais cruel do que qualquer música que ele (ou ela) pudesse tocar. Um dia eu farei isso, e volto aqui pra contar.
Eu dou risada sozinho imaginando a cena. E caio em mim, sei que nunca colocarei em prática (tempos atrás não seria assim). A não ser que eu esteja bem bêbado.