19, Fevereiro, 2008...7:33 pm

Black Tie

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A idéia é simples: pense num rapaz que há exatamente um ano atrás acordava 4.30 da manhã para começar a trabalhar as 6. E mais: ao chegar no serviço, colocava um macacão, um sapato de segurança, luvas de pano, óculos de segurança, e sua ferramenta de trabalho era uma linha onde passava em média uns 350 carrocerias/dia. Quase uma carroceria por minuto. A carroceria passava pendurada e o rapaz tinha a árdua missão de trabalhar com o braço erguido o dia inteiro aplicando e normalizando uma massa de vedação de nas junções de chapa para que o produto final não tivesse infiltração. Ok. Simples, não é?

Agora, coloque o mesmo rapaz em um escritório. Dê meia dúzia de serviços que ninguém se lembra de fazer ou que o departamento não dá muita importância, mas é importante. “Como assim? Um ramal só pra mim?” Ele se vislumbra. Deixe-o aprender, mostrar fuçar futricar, remexer e revirar. Estava sobrando tempo para ele.

Tudo o que há de mais belo nesse novo lugar é sua mesa, um computador que não anda em linha para se trabalhar, e o ar condicionado deixando o clima fresco naquele ambiente. Imagine que o que fazia o clima no seu ambiente anterior era a telha de brasilit que deixava o calor entrar, mas não o deixava sair! Efeito-estufa na pele.

Bem, esse lugar novo e bacana, com pessoas legais, com o serviço legal, tem um porém: pouco aprendizado com outras pessoas, já que ele estuda uma coisa e trabalha com muitas pessoas formada em outras. A divergência não é baixa: coisa de humanas versus exatas mesmo.

Depois, de um certo tempo nesse novo lugar legal, eis que surge um lugar mais legal ainda. As mesmas coisas: pessoas legais, serviço legal, pessoas que ensinam (isso é novo), muita coisa pra aprender! Também tem o ar-condicionado, o ramal e o computador estático, e de brinde um armário de arquivos pra pôr em ordem!

Nesse novo lugar legal, não é obrigatório, mas alguns trabalham de gravata. Diferente do lugar legal anterior. O rapaz pensa no macacão e no sapato de segurança, e vê nesse novo lugar uma tremenda desculpa pra usar gravata: outros usam. Não ficaria desenquadrado se aderisse. E quando a coisa esquenta por causa da gravata, lembra da telha brasilit e sorri. Afinal há um ano atrás, aquele lugar onde ele está hoje, era sonho. Seria possível?

A gravata pode ser para os outros, apenas uma gravata, uma preocupação com o visual, a primeira impressão, que seja! Para ele é um troféu, um mérito. Por que não?

2 Comentários

  • Vc sabe que eu tbm festejo suas conquistas, né?

  • Simplesmente PERFEITO!

    Obrigada por descrever como me sinto. Aliás, como nos sentimos.
    Mas no meu caso ao invés da gravata, coloquemos um salto alto.

    Deos. Que felicidade por nós. Nós merecemos.
    Cada vez mais.
    E ficaremos felizes cada dia mais por nossas conquistas.
    E nos lembraremos todos os dias que o calor de uma gravata e a bolha no pé de um salto alto não são nada.

    A parte mais incrível é saber que pessoas ‘comuns’ não dão valor pra esse tipo de coisa. Nós sabemos da real e impolgante importância.
    Como vc mesmo disse, do nosso troféu.

    Amo vc kbção.
    Saudade!

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