Enfim o fim. Clique aqui para ler os outros 4 capítulos.
Jamais saberia descrever o que sentiu ao dar os primeiros goles do líquido da terceira garrafa, Ipaun.
Amargo e doce, quente e resfrescante. A sensação foi boa por muitos e muitos goles.
Tudo em sua volta parecia não existir: o tempo, aquela quem propôs o jogo, o líquido desaparecido e o derramado ao chão.
Contudo, a garrafa tinha um fundo e o líquido logo se esgotaria. Mas isso jamais foi pensado enquanto bebia.
Apesar de não saber, muito estava acontecendo enquanto bebia Ipaun. Em algum lugar, a garrafa de Iono teria surgido e aguçado a vontade de alguém, e o Rolin esparramando pelo chão pegava todas as impurezas e era pisado por quem ali passava e o que restou na garrafa se recuperava da cor turva.
Os últimos goles de Ipaun desceram enjoativos, e a garrafa se esvaziou. Ela ria. O jogo havia acabado. E uma tristeza fora plantada por ali.
-Quer mais?
-Quero, do começo.
-Infelizmente não será possível. Essa já foi a sua segunda chance com Ipaun. Tome, leve essa com você.
- A cor voltou ao normal! E meu reflexo não está distorcido!
- Tome.
- Teria um gosto horrível! Nunca mais me submeto a virar garrafas até beber tudo!
- Você pode levar as garrafas, as duas que ficaram por perto. Uma esgotada e outra metade cheia, depois que você esparramou o líquido.
- O que faço com uma garrafa vazia?
- Encha! Pare de tomar, e doe!
- Será que poderia trazer de volta a garrafa de Iono?
- Não nesse momento
- Quando, então?
E sem responder ela seguiu seu caminho.
Agora espera com ansiedade que ela dê uma nova virada e proponha um novo jogo. Sonhando com goles de Iono. Espremendo-se para encher as garrafas que ficaram com ele. Sem saber o que fazer para provar o gosto misterioso da primeira garrafa.