Aquela foi a gota que transbordou tudo assim que tinha acabado de secar.
É duro tomar banho de água fria no inverno. Você treme involuntariamente, não importa seu tamanho. Passa um vento que gela ainda mais e arrepia. Apenas um abrigo seco é seu maior desejo. Todos dizem que não adianta procurar, quando você se der conta, estará novamente aquecido e aconchegado, sem tremer ou temer.
Ainda úmido, encontrei um abrigo convidativo na estrada. Mantive meus passos, apesar de desejar correr com todas as minhas forças. E o inevitável aconteceu. Cheguei até a porta daquele abrigo e parecia que todo frio havia passado. Para minha sorte, ele não estava trancado. Abri a porta, olhei aquelas paredes e todo conforto que eu estava prestes a ter. Senti um sorriso se abrir involuntariamente no meu rosto, talvez fosse felicidade.
Então um vento bateu a porta no meu rosto. São Pedro achou que seria conveniente uma tempestade. Senti cada gota me molhar novamente e o frio fazer meu corpo tremer. Minhas mãos seguravam a maçaneta enquanto eu olhava pra cima. Meu sorriso ainda se manteve, irônico, mas eu ainda tremia e temia.
Quando o Sol saiu, me encontrou agachado à porta daquele abrigo que eu nunca cheguei a entrar. Sequei e segui pela estrada sozinho. Como sempre. Sei que nem sempre posso contar com a luz e o calor do Sol. Mas nem o mais confortável abrigo me fez resistir à força daquela tempestade que gelou meu corpo e lavou minha alma.
Chove, chuva…que seu abrigo seja eterno!